Vida longa a várias linguagens de artesanato!

Há alguns meses temos nos desafiado a dividir com vocês um pouco mais sobre o que antecede nossas criações.

Processos, pontos, histórias, viagens, ferramentas de trabalho e cada tipologia artesanal – e especialmente de quem está por trás delas!

Compartilhar aquilo que nos inspira e nos move!

Pensando nisso, criamos uma série de videos mostrando nossas andanças nesse Ceará, as tipologias que trabalhamos hoje e o passo a passo desta construção, pelas vozes das protagonistas desta história: as artesãs!

Além da série, também preparamos um conteúdo super especial, para você que deseja se aprofundar ainda mais no universo do artesanato e do artesão!


Conheça um pouco mais sobre as 6 tipologias que trabalhamos, atualmente, na Catarina Mina:

1. CROCHÊ:

Para começar nossa série, escolhermos o Crochê como nosso ponto de partida. Afinal, foi a partir dessa tipologia que nossa história começou! 

Você já se perguntou de onde vem a palavra ‘crochê’?

Derivado da palavra francesa ‘croc’, o termo significa gancho. Uma referência ao formato da ponta da agulha utilizada para o feitio da técnica. Esse instrumento de trabalho produz um trançado semelhante ao da malha ou da renda, em um trabalho 100% feito à mão.

O momento exato do surgimento do técnica, não se sabe ao certo. Porém, a partir de 1800, ela começou a ser difundida com a criação de padrões que pudessem ser reproduzidos – ganhando adeptos em todo o mundo!

Ponto alto, ponto baixo, ponto pipoca… A possibilidade de pontos no crochê é infinita, mas tudo começa na correntinha! Ela é a base inicial para a construção de uma peça!

A partir disso, é deixar a criatividade fluir, buscando nossas singularidades e inovação na mistura desses pontos. E vamos além: na escolha da matéria prima, na espessura dos fios, na combinação com outras técnicas…

O crochê é um universo em constante construção e descoberta.

Celebramos essa tipologia artesanal tão especial para todas nós. Viva o crochê! Viva as crocheteiras

2. PALHA:

As técnicas de trabalho em palha são diversas e dependem da matéria-prima escolhida.

Por aqui, vamos falar especialmente da Palha de Carnaúba, árvore abundante no nosso Ceará!

A carnaúba é uma árvore nativa da região semiárida, de muita importância cultural e econômica. “Da Carnaúba tudo se aproveita!”. Do tronco, retira-se a madeira para construção civil. Do pó, a cera. Da folha, o artesanato. E assim, num ciclo cheio de vida, essa árvore nos presenteia com muitas riquezas.

Somos encantados com as tipologias artesanais que se originam da palha. E o trabalho artesanal começa bem antes do trançado da peça.

O processo de beneficiamento da palha de Carnaúba possui uma beleza à parte e requer tempo e cuidado.

Da Carnaúba, vem a folha (olho da carnaúba), que após ser colhida passa por um processo de secagem que dura até 4 dias, debaixo de muito sol (outro fator abundante aqui na terrinha).

Depois de seca, o “olho” é “riscado” com o auxílio de uma faquinha, companheira fiel das artesãs. Com esse instrumento, a artesã separa o “lombo” da palha, sendo ele que dá volume e estrutura para cada criação.

Após a separação, essa palha é armazenada em um lugar arejado e, antes de ser “trabalhada”, é envolta por um pano úmido, o que garante sua maleabilidade.

Matéria prima pronta? É hora de começar o trançado!

Com pontos abertos e pontos fechados, a peça vai sendo construída. Para fazer em um formato específico, é criado uma forma de madeira que serve como molde.

Um trabalho 100% manual feito com uma matéria prima de baixo impacto e biodegradável, sem uso de cola. Sustentabilidade na prática!

Nos emociona sempre assistir ao dançar dos dedos no entrelaçar da palha e o ouvir o som do “estralar” dessa fibra – um sinal de que ela está perfeita para se transformar em nossas bolsas e criações!

Uma técnica que é passada de geração pra geração, símbolo das bonitezas da nossa cultura!

3. FILÉ:

O filé (também chamado de filé de agulha) é uma das tipologias que amamos no Nordeste. Aqui no Ceará ele vem de muitos lugares. Uma trama intimamente ligada à vida no litoral. Nos lembra as redes dos pescadores, às tradições da gente do mar.

A base para a construção da renda é uma rede – assim como as feitas pelos pescadores – que, por aqui, é chamada de “malha” e é feita com fios de algodão.

Depois de pronta, essa malha é presa à uma grade de madeira e, com paciência, criatividade e uma agulha de mão, as artesãs vão tecendo pontos e cores.

O pontos básicos levam nomes muito especiais, com especificações e peculiaridades de cada lugar.

Ponto Doido, Carel, Cerzido, Espinha de peixe e tantos outros… A lista é grande, assim como o talento das artesãs que constroem esse fazer tão único!

Do Aracati vem o filé das nossas peças, carregado e abençoado pela brisa do mar de Canoa Quebrada e de tantas outras praias daqui. Celebramos os talentos das artesãs aracatienses.

4. RENDA DE BILRO:

“onde há rede, há renda”.

Esse dito popular, tão bonito, fala das nossas tradições. Na beira da praia de mares e rios, tem rede pra pescar e renda pra rendar. Acredita-se que isso tenha acontecido por intermédio das mulheres portuguesas que aqui chegaram. Herdamos, aprendemos, transformamos.

A renda de bilro (também chamada renda do Ceará ou renda de almofada), é, como outros saberes artesanais tão ricos do nosso estado, uma tipologia em extinção. 

Nela, tudo vem da terra, das árvores das casas, da diversidade da região. A arte do bilro começa ainda na criação das suas ferramentas, que com o conhecimento e o movimento de mãos habilidosas, originam-se a renda.

Da semente do bilreiro, árvore nativa da região, vem o coco que forma o bilro. Do espinho do cardeiro – um cacto que encontramos em nossos quintais, as agulhas de marcação. Do papel picado surgem os primeiros desenhos, e na almofada – também feita por nós – que esse sonho se constrói.

Um fazer ancestral que precisa ser valorizado e perpetuado.

5. LABIRINTO:

O Labirinto é joia rara! É saber e tradição!

Uma tipologia que chegou no Brasil no século XVII, e que, à beira do mar encontrou seu lugar.

O labirinto é um saber tradicional de extrema importância histórica. Um fazer minucioso e delicado que segue vivo graças às labirinteiras.

Com uma agulha de mão sob tecido preso na “grade”, as artesãs vão construindo a renda a partir do desfiamento da base, da união dos fios e do preenchimento de espaços, criando assim uma nova trama.

Labirinto é história e tradição, é ofício para muitas mulheres, mas também é saber em extinção que precisa ser valorizado!

Uma técnica centenária que até hoje tem como sua principal forma de perpetuação o ensinamento de geração pra geração. Porém, com a falta de incentivos, muitas mulheres acabam por desistir desse ofício.

Por isso reforçamos nosso compromisso com a valorização e da propagação desse saber tão precioso.

6. MARCHETARIA:

E por fim, mas não menos importante a marchetaria, uma arte milenar presente nas mais diversas culturas.

A marchetaria é uma técnica que consiste em encaixar pequenos fragmentos de madeira ou de outros materiais, como metais e pedras.

Uma técnica usada nas mais diversas superfícies e objetos, mas que aqui na Catarina Mina encontrou seu lugar nas nossas alças e acessórios, com o talento do casal artesão Elienai e Joana.


Falar de artesanato é falar da nossa história e das nossas raízes.

Cada vez que alguém divulga, acredita, replica, ajuda, escreve, nossa energia do fazer cresce e essa energia é necessária pra quantidade de transformações que queremos.

Vida longa a várias linguagens de artesanato!

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